Conversas ao redor do fogo



Osiris Costeira

Graduado em Medicina, Título de Especialista em Psiquiatria, Psicoterapeuta, Mestre em Reiki pela Fraternidade Reiki, Pós-Graduado em Terapias Naturais e Holísticas, Coordenador do site www.terapiadecaminhos.com.br.

A EVOLUÇÃO DA MULHER. V – A MULHER IDOSA: A MENOPAUSA

A mulher sempre foi prisioneira da sua própria feminilidade. Os ciclos menstruais, a gestação e o climatério estigmatizaram a vida da mulher através dos tempos, ora diminuindo a sua capacidade de competição, inclusive fisicamente, ora minimizando a sua qualidade de vida através da ansiedade, depressão e menos valia, além de sinais reais e palpáveis de desconforto.

Mensalmente, num constante jogo de hormônios ovarianos e hipofisários, a mulher menstrua, como um sinete da não procriação, trazendo com a hemorragia uma série de transtornos, inclusive enfraquecimento proveniente da própria perda sanguínea.

Além disso, as prostaglandinas e os serotonínicos também entram no jogo hormonal, evidenciado pela dismenorréia primária e os desagradáveis distúrbios do humor, na tensão pré-menstrual (TPM).

A gestação, abstraindo-se o aspecto "gerador de vida" e a magnitude do sentimento da maternidade, também dificulta, pelo menos no último trimestre, a vida da mulher; com o parto não termina a fase dos transtornos, visto que o recém-nascido necessita de seus cuidados e da alimentação materna. Todo esse período é muito poético, mas extremamente trabalhoso para a mulher.

E aos 50 anos, quando a vida parecia se tornar mais tranquila, se bem que rotineira, novamente o jogo de hormônios ovarianos e hipofisários desequilibra a mulher, principalmente aquelas mais sensíveis a certos condicionamentos culturais milenares.

Esses condicionamentos milenares que levam à concretização de um inconsciente coletivo, transmitido e vivido de geração em geração, forjam nas mulheres profundos desequilíbrios emocionais quando, por força de sua natureza fisiológica, deixam de ser "fêmeas" na concepção reprodutora da palavra. A esterilidade climatérica sentencia a mulher a uma "nulidade" vivencial já que nesta fase perde a sua única função - e que o homem valora, pois nela se afirma - reconhecidamente válida: a procriação.

Mas as "coisas" estão mudando, e para melhor. Parece que outros ventos amenizam, lentamente, a encalorada fisiologia hormonal da mulher. A moderna farmacologia já socorre a mulher do desconforto da dismenorréia primária, minimizando a síndrome pré-menstrual. Com os métodos modernos de prevenção à natalidade, mesmo sem serem ainda totalmente satisfatórios e desprovidos de secundarismos, como os anticoncepcionais hormonais combinados, via oral, a mulher já pode planificar a sua família sem que a vinda de um filho se torne uma "catástrofe" para si e também para a própria família. Os filhos podem existir resultantes do amor, e por ele esperado. Quando o casal desejar.

Para o período do climatério, quando chega a menopausa, também já existe um presente mais promissor pelo novo posicionamento sócio-cultural da mulher, e pelos recursos farmacológicos que estão criando "uma nova mulher de meio século" (Caderno de Terapêutica - "Climatério, O Renascimento da Mulher Moderna", Laboratório FQM, Rio de Janeiro, 2002).

A Dra. Ceci Mendes Carvalho Lopes, da Faculdade de Medicina da USP, em artigo publicado numa revista médica (Sinopse Ginecol Obstet, 2:28-29,1999), evidencia essas mudanças de maneira elegante e objetiva:

"A longevidade para toda a humanidade é uma aquisição do século 20, era de grandes transformações. A expectativa de vida evoluiu, em menos de um século, de 50 para acima de 75 anos. E mais, ganham-se anos bem vividos, pois mudou também a possibilidade de adquirir qualidade de vida. E, inclusive, o direito de reivindicar essa boa qualidade de vida."

"A mulher sofreu enormes mudanças em seu estilo de vida, como nunca antes em toda a história da humanidade. O papel feminino se alterou, e muito. Hoje a mulher trabalha e contribui para a renda familiar, de modo significativo. Quantas vezes, ainda como chefe de família! Mas essa recaracterização de papel não tem sido sem atritos, ou sem dificuldades. Inclusive porque à modificação do papel feminino teve de se suceder uma outra, correspondente, no masculino. Enfim, ambos os sexos tiveram ganhos e perdas, e precisaram rever suas posições. Nossos avós não se enquadrariam mais, facilmente, no nosso mundo atual. Porém, o fato é que, hoje, a mulher não só mudou, mas parece ter gostado dessa mudança. Tanto que, apesar de tudo isso ter começado por necessidade, hoje ela já se agarra com unhas e dentes à idéia de consolidar essa transformação."

"Mais do que isso, afloram, como problemas de saúde pública, alguns problemas que antes não pareciam ter importância, mas que, hoje, adquiriram um valor maior. A mulher passou a apresentar doenças que pareciam não afetá-la, salvo em situações muito individuais. Não havia a preocupação com a doença coronariana na mulher - quem morria de infarto era o homem... De vez em quando uma velhinha sofria uma fratura de quadril - mas isso era uma fatalidade... E os mal-estares do climatério, sina herdada de Eva, junto com o pecado original, deixaram de ser aceitos dessa forma."

Dentro desse conjunto de fatos, já se pode vislumbrar uma nova personagem no teatro da vida - personagem NOVA MULHER - renascida de suas próprias "deficiências" e das "deficiências" próprias da personagem HOMEM. Essa nova mulher, agora com 50 anos, se vê e é vista diferente, mais capaz e mais confiante. Mais feliz. Mais mulher.

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