Conversas ao redor do fogo

Meus amigos, lançamos a partir de hoje a nova série de textos do Conversas ao redor do fogo, entitulada A Evolução da Mulher. Neste primeiro numero, Osiris Costeira fala da Adolescência e a Sexualidade e o que vem depois não pode deixar de ser acompanhado. Aproveitem.

Abraço carinhoso,

Ju Hadadd.



Osiris Costeira

Graduado em Medicina, Título de Especialista em Psiquiatria, Psicoterapeuta, Mestre em Reiki pela Fraternidade Reiki, Pós-Graduado em Terapias Naturais e Holísticas, Coordenador do site www.terapiadecaminhos.com.br.

A EVOLUÇÃO DA MULHER - I - ADOLESCÊNCIA E SEXUALIDADE

A adolescência é um período na vida da pessoa marcada pelas primeiras reações emocionais e transformações corporais próprias da puberdade. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a adolescência está contida na população que tem entre 10 e 19 anos de idade. É necessário diferenciar a adolescência da puberdade. Enquanto esta é uma etapa fisiológica em que o indivíduo adquire a capacidade de procriar, a adolescência é um fenômeno psicossocial, cujas manifestações variam em função da cultura, época e local, e da própria pessoa.

A puberdade, no sexo feminino, se evidencia pelo desenvolvimento das mamas, dos pêlos pubianos e axilares e da menarca (primeira menstruação). No sexo masculino, há desenvolvimento dos testículos, do pênis, pêlos pubianos, axilares e faciais. Estas transformações, de base neuro-hormonal, conduzem ao aumento da libido e ao desenvolvimento das etapas seguintes da sexualidade, com a conquista de suas identidades próprias.

A atividade sexual na adolescência vem se iniciando cada vez mais precocemente e, com isso, aumentam as consequências imediatas dessa sexualização infanto-juvenil. Uma das principais é o aumento da frequência de doenças sexualmente transmissíveis (DST) nesta faixa etária; e a outra é a gravidez, muitas vezes indesejável e que, por conta disso, pode terminar em aborto, abortos geralmente feitos clandestinamente, e sem mínimos cuidados higiênicos e recursos médicos.

Segundo alguns pesquisadores (Caderno de Terapêutica - “Gravidez precoce: do pediatra direto ao obstetra”. Laboratório FQM, Rio de Janeiro, 2003), quando a atividade sexual tem como resultante a gravidez, gera consequências tardias e a longo prazo, tanto para a adolescente quanto para o recém-nascido. Ela poderá apresentar problemas de crescimento e desenvolvimento, emocionais e comportamentais, educacionais e de aprendizado, além de complicações da gravidez e problemas de parto. É por isso que alguns especialistas consideram a gravidez na adolescência como sendo uma das complicações da atividade sexual.

Ainda segundo os pesquisadores, o contexto familiar tem uma relação direta com a época em que se inicia a atividade sexual. As adolescentes que iniciam vida sexual precocemente ou engravidam nesse período, geralmente vêm de famílias cujas mães se assemelharam a essa biografia, ou seja, também iniciaram vida sexual precoce ou engravidaram durante a adolescência.

O comportamento sexual dos adolescentes é classificado de acordo com o grau de seriedade da relação. Vai desde o “ficar” até o namorar. “Ficar” é um tipo de relacionamento íntimo sem compromisso de fidelidade entre os parceiros. Num ambiente social (festa, barzinho, boate) dois jovens sentem-se atraídos, dançam, conversam e resolvem ficar juntos naquela noite. Nessa relação podem acontecer beijos, abraços, e até uma relação sexual completa, desde que ambos queiram. Esse relacionamento é inteiramente descompromissado, sendo possível que esses jovens se encontrem novamente e não aconteça mais nada,

Em bom número de vezes o casal começa “ficando” e evoluem para o namoro. No namoro a fidelidade é considerada muito importante. O namoro restabelece uma relação verdadeira com um parceiro sexual. Na puberdade, o interesse sexual coincide com a vontade de namorar e, segundo pesquisas, este despertar sexual tem surgido cada vez mais cedo entre os adolescentes. O adolescente, impulsionado pela força de seus instintos, juntamente com a necessidade de provar a si mesmo sua virilidade e sua independente determinação em conquistar outra pessoa do sexo oposto, contraria com facilidade as normas tradicionais da sociedade e os aconselhamentos familiares, e começa, avidamente, o exercício de sua sexualidade.

As atitudes das pessoas são, inegavelmente, estimuladas e condicionadas tanto pela família quanto pela sociedade. E a sociedade, bem como a própria família, tem passado por profundas mudanças em sua estrutura, inclusive aceitando a sexualidade na adolescência e, consequentemente, também a gravidez nesta fase. Portanto, na medida em que os tabus, inibições, tradições e comportamentos conservadores estão diminuindo, a atividade sexual e a gravidez na juventude aumentam.

E a incidência de gravidez na adolescência está crescendo. Nos Estados Unidos, no final dos anos 90, os partos de mães adolescentes representaram 12,5% de todos os nascimentos no país. Em função disso, estima-se que aos 20 anos, 40% das mulheres brancas e 64% das negras terão experimentado, ao menos, uma gravidez.

No Brasil, a cada ano, cerca de 20% das crianças que nascem são filhos de adolescentes, número que representa três vezes mais meninas, com menos de 15 anos, grávidas que na década de 70. A grande maioria dessas adolescentes não tem condições financeiras nem emocionais para assumir a maternidade e, por causa da repressão familiar, muitas delas fogem de casa e quase sempre abandonam os estudos.

Os números são, realmente, assustadores. São mais de 700 mil partos de adolescentes no Brasil por ano, e algo em torno de 500 mil abortos, todos clandestinos e ilegais. Com isso, podemos estimar que mais de 1.100.000 adolescentes engravidam por ano no Brasil. Pensando em termos relativos e estatísticos, a expectativa é de que uma em cada 17 adolescentes engravide nos próximos meses

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