Conversas ao redor do fogo

Meus amigos, lançamos a partir de hoje a nova série de textos do Conversas ao redor do fogo, entitulada A Evolução da Mulher. Neste primeiro numero, Osiris Costeira fala da Adolescência e a Sexualidade e o que vem depois não pode deixar de ser acompanhado. Aproveitem.

Abraço carinhoso,

Ju Hadadd.



Osiris Costeira

Graduado em Medicina, Título de Especialista em Psiquiatria, Psicoterapeuta, Mestre em Reiki pela Fraternidade Reiki, Pós-Graduado em Terapias Naturais e Holísticas, Coordenador do site www.terapiadecaminhos.com.br.

A EVOLUÇÃO DA MULHER. II – ADOLESCÊNCIA, SEXUALIDADE E GRAVIDEZ

A adolescência implica num período de mudanças físicas e emocionais, considerado, por alguns, um momento conflitivo ou de crise. Não podemos descrever a adolescência como simples adaptação às transformações corporais, mas como um importante período no ciclo existencial da pessoa, uma tomada de posição social, familiar, sexual e entre o grupo.

A puberdade, que marca o início da vida reprodutiva da mulher, é caracterizada pelas mudanças fisiológicas corporais e psicológicas da adolescência. Uma gravidez na adolescência provocaria mudanças maiores ainda na transformação que já vinha ocorrendo de forma natural. Neste caso, muitas vezes, a adolescente precisaria de um importante apoio do mundo adulto para saber lidar com esta nova situação.

O porquê a adolescente fica grávida é uma questão muito incômoda aos pesquisadores. Segundo alguns, a utilização de métodos anticoncepcionais não ocorre de modo eficaz na adolescência, inclusive devido a fatores psicológicos inerentes ao período da adolescência. A adolescente nega a possibilidade de engravidar, e essa negação é tanto maior quanto menor a faixa etária.

A atividade sexual da adolescente é, geralmente, eventual, justificando para muitos a falta de uso rotineiro de anticoncepcionais. A grande maioria delas também não assume diante da família a sua sexualidade, nem a posse do anticoncepcional, que denuncia uma vida sexual ativa. Assim sendo, além da falta ou má utilização dos meios anticoncepcionais, a gravidez e o risco de engravidar na adolescência podem estar associados a uma menor auto estima, a um funcionamento familiar inadequado à grande permissividade, falsamente apregoada como desejável a uma família moderna ou à baixa qualidade de seu tempo livre.

De qualquer forma, o que parece ser quase consensual entre os pesquisadores é que as facilidades de acesso à informação sexual não têm garantido maior proteção contra doenças sexualmente transmissíveis (DST) e nem contra a gravidez nas adolescentes.

Uma vez constatada a gravidez, se a família da adolescente for capaz de acolher o novo fato com harmonia, respeito e colaboração, esta gravidez tem maior probabilidade de ser levada a termo normalmente e sem grandes transtornos. Porém, havendo rejeição, conflitos traumáticos de relacionamento, punições e incompreensão, a adolescente poderá sentir-se profundamente só nesta experiência difícil e desconhecida, poderá correr o risco de procurar abortar, sair de casa, e submeter-se a toda sorte de atitudes.

O bem estar afetivo da adolescente grávida é muito importante para si própria, para o desenvolvimento da gravidez e para a vida do bebê. A adolescente grávida, principalmente a solteira e não planejada, precisa encarar sua gravidez a partir do valor da vida que nela habita, precisa sentir segurança e apoio necessários para o seu conforto afetivo, precisa dispor bastante de um diálogo esclarecedor e, finalmente, da presença constante de amor e solidariedade que a ajude nos altos e baixos emocionais, comuns na gravidez, até o nascimento de seu bebê.

E, nesses momentos de ansiedade e depressão, muitas vezes a jovem futura mãe não conta nem com o amparo religioso que necessitaria para lhe acalmar e proteger, pelo menos em espírito. Muitas vertentes religiosas, das mais seguidas e aceitas atualmente, pelo contrário, condenam e marginalizam esses pequenos seres com os mais variados rótulos. E, eles só gostariam do colo do Pai, já que o do pai...nem pensar!

Mesmo diante de casamentos ocorridos na adolescência de forma planejada e com gravidez, também, planejada, por mais preparado que esteja o casal, a adolescente não deixará de enfrentar a somatória de mudanças físicas e psíquicas decorrentes da gravidez e da adolescência.

A gravidez na adolescência é, portanto, um problema que deve ser levado muito a sério e não ser subestimado, assim como deve ser levado a sério o próprio processo do parto. Este pode ser dificultado por problemas anatômicos e comuns da adolescente, tais como o tamanho e conformidade da pelve, a elasticidade dos músculos uterinos, os temores, desinformação e fantasias da mãe ex-criança, além dos importantes elementos psicológicos e afetivos possivelmente presentes.

A incidência de recém-nascidos de mães adolescentes com baixo peso é duas vezes maior do que em recém-nascidos de mães adultas, e a taxa de mortalidade neonatal é três vezes maior. Entre os adolescentes com 17 anos ou menos, 14% dos nascidos são prematuros, enquanto entre as mulheres de 25 a 29 anos é de 6%. A mãe adolescente também apresenta, com maior freqüência, sintomas depressivos no pós-parto (Caderno de Terapêutica – “Gravidez precoce: do pediatra direto ao obstetra”. Laboratório FQM, Rio de Janeiro, 2003).

Mas o drama da gravidez em adolescentes não é monopólio das meninas. E o rapaz? Afinal, sem sua participação não haveria a concepção. Infelizmente, os rapazes, principalmente aqueles que apenas “ficam”, dificilmente vão sentir como sendo sua também a responsabilidade sobre a gravidez. Normalmente os rapazes têm uma visão um tanto minimizada da gravidez imposta à menina. Afinal, como pensam, a gravidez só pode ter como conseqüência uma gigantesca transformação no corpo (que não é o seu), a necessidade de um acompanhamento pré-natal (que pode muito bem acontecer sem ele), o parto (que também acontece sem ele estar presente), abandonar os estudos (que também não diz respeito a ele), os cuidados com o bebê por alguns poucos seis ou sete anos, ... e assim por diante.

Por todos esses aspectos, a gravidez deve ser vista - sempre - como o começo de uma vida, em conseqüência do amor entre duas pessoas. Nunca deveria gerar conflitos familiares, angústia, infelicidade, depressão. Na adolescência, em que o fortuito e o eventual podem direcionar a vida dos jovens, cabe aos adultos, pais e sociedade, o respeito e a disponibilidade de proteção à vida que se inicia, não só da criança, mas, também, da jovem mãe e do jovem pai, muitas vezes pouco menos crianças que o filho recém- nascido.

Leia também o artigo anterior

LIBERTAÇÃO FEMININA - I - Sexualidade: muito além de Freud

LIBERTAÇÃO FEMININA - II - Homo sapiens: Macho x Fêmea

LIBERTAÇÃO FEMININA - III - Do Nilo mar ao Mar Egeu, passando por Roma

LIBERTAÇÃO FEMININA - IV - ...e Deus criou a mulher!

LIBERTAÇÃO FEMININA - V - “Um dique não contém um mar encapelado”

A EVOLUÇÃO DA MULHER - I - ADOLESCÊNCIA E SEXUALIDADE

A EVOLUÇÃO DA MULHER - II – ADOLESCÊNCIA, SEXUALIDADE E GRAVIDEZ

Para receber notícias e atualizações de nosso site, cadastre seu e-mail no campo abaixo:


 

© 2006-2010 - Uma Nova Mulher - Todos os Direitos Reservados
Telefones: (32)3216-5224 / (32)9987-7007 / (21)2652-5013 / (21)9384-0100 / email: juhadadd@acessa.com

Bibliografiasite: