Conversas ao redor do fogo
Meus amigos, lançamos a partir de hoje a nova série de textos do Conversas ao redor do fogo, entitulada A Evolução da Mulher. Neste primeiro numero, Osiris Costeira fala da Adolescência e a Sexualidade e o que vem depois não pode deixar de ser acompanhado. Aproveitem.
Abraço carinhoso,
Ju Hadadd.
Osiris Costeira
Graduado em Medicina, Título de Especialista em Psiquiatria, Psicoterapeuta, Mestre em Reiki pela Fraternidade Reiki, Pós-Graduado em Terapias Naturais e Holísticas, Coordenador do site www.terapiadecaminhos.com.br.
A EVOLUÇÃO DA MULHER. III – A MULHER ADULTA: A CONCEPÇÃO
A procriação, e a consequente perpetuação da espécie, sempre foi, desde tempos imemoriais, uma das grandes preocupações do Homem, por mais primitivo que ele fosse, visto que além da momentânea incapacidade de participação mais ativa da mulher/fêmea ao gestar, representava a continuação do grupo, naqueles primeiros conceitos de propriedade privada e familiar.
E, até os nossos dias, a gestação adquiriu uma importância que transcende, às vezes, a própria noção de procriação e descendência, e é envolvida em um manto protetor de amor, afeto e de esperança naquele ser que irá nascer. Por isso, a impossibilidade da gestação, pelas possíveis problemáticas tanto do homem quanto da mulher, se reveste em verdadeiros dramas e tragédias, fazendo com que os envolvidos lancem mão de todas as possibilidades, científicas ou não, para reverterem esse quadro.
Em função desses fatos, a reprodução humana sempre foi, dentro dos aspectos que norteiam a sexualidade de homens e mulheres, cheia de mitos e crendices que se perpetuaram ao longo da História, até que a ciência os sepulte, definitivamente, assumindo a condição e qualidade de estórias. Nada mais do que estórias da nossa História.
O Professor Weydson Barros Leal, da Universidade Federal de Pernambuco, em seu memorável livro sobre reprodução humana (Barros Leal, JW – Reprodução Humana. Livraria e Editora Revinter Ltda. Rio de Janeiro, RJ, 1994) relembra, em seu capítulo inicial, algumas estórias interessantes, cheias de mitos, que cercaram a reprodução humana desde a Antiguidade Clássica.
“A busca pela descendência é uma preocupação já visualizada desde 2111 aC, no antigo Egito, como se constata na leitura do papiro de Kaun, escrito, provavelmente, como livro de texto dos alunos de Sais. Nele também estava especificado a primeira tentativa de cura da esterilidade, pela prescrição de glândulas de pequenos animais, somada a determinados exercícios físicos.
Entre os Hebreus figurava a idéia de que a mulher não conseguindo a prenhes, deveria ser afastada de sua vida social, advindo daí a história de Sara, que após dez anos de união sexual teria liberado o marido, Abrahão, para “coabitar” com Hagar, uma jovem serva que logo viria a engravidar, para a felicidade do próprio casal.
Praxágoras de Cós, discípulo de Diócles, em 340 aC, referia-se à reprodução humana com idéias bastante equivocadas. Na tentativa de prová-las, ditava que um coito poderia gerar um ser masculino quando pudesse o homem sustentar seu testículo direito. Atitude semelhante era observada na mulher, apertando o abdome no ato sexual. Fosse pelo lado direito, geraria um ser feminino, e do esquerdo, graças a fluxos especiais, nasceria um homem. Por essas formas surgiram diversas atitudes médicas ligadas à Ginecologia, e com elas tratamentos específicos, visando a cura de alterações menstruais, ou até de prevenção de prolapsos genitais.
Na escola de Alexandria, vigente na mesma época de Diócles, apareceu e notabilizou-se um anatomista de nome Herófilo, considerado hábil ginecologista, por ter descrito os órgãos masculinos e femininos. Dissecou e estudou o útero e sua vascularização. Liberou idéias sobre os ovários, indicando suas localizações e ainda denominando-os de testículos femininos.
afluíam às mamas em forma de leite, simplesmente por não mais serem necessários, nem ao útero nem ao feto. Na descrição dessas idéias, constata-se que os antigos admitiam fenômenos corporais, mas não conseguiam captar as suas origens. O próprio Hipócrates, sábio entre todos, pregava que o sangue menstrual era retido no útero como decorrência do calor corporal da mulher, e quando desprendido simplesmente depurava o organismo feminino. Essas crenças correram séculos.
Foi em nosso século que Halban, em 1904, conseguiu caracterizar um quadro hormonal, transplantando, por via subcutânea, parte de um ovário sobre as costas de uma cobaia previamente castrada. Outros autores, como Lipschutz e Steinach, enxertaram ovários amadurecidos em animais imaturos, obtendo desenvolvimento precoce, assim como certo rejuvenescimento de animais envelhecidos. Daí, a passos largos, a Ginecologia diferençou-se, principalmente quando conseguiu, do líquido folicular, uma substância que servia para pesquisas laboratoriais.”
O ilustre Professor Barros Leal, ainda em seu livro-história sobre a reprodução humana, nos fala, com entusiasmo, dos dias mais atuais:
“A Ginecologia atual é possuidora de um incrível arsenal de pesquisas e descobertas, cuja história torna-se difícil de ser contata em seus pormenores. Ela é longa e no decorrer dos anos alcançou patamares diferenciados, até a década em que surgiu a fertilização assistida homóloga. O ano de 1978 consagrou-se como epílogo de tal história, marcado pelo nascimento do primeiro bebê de proveta, por intermédio de Steptoe e Edwards, dois eminentes ingleses responsáveis diretos pelo nascimento de LOUISE BROWN.”
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LIBERTAÇÃO FEMININA - I - Sexualidade: muito além de Freud
LIBERTAÇÃO FEMININA - II - Homo sapiens: Macho x Fêmea
LIBERTAÇÃO FEMININA - III - Do Nilo mar ao Mar Egeu, passando por Roma
LIBERTAÇÃO FEMININA - IV - ...e Deus criou a mulher!
LIBERTAÇÃO FEMININA - V - “Um dique não contém um mar encapelado”
A EVOLUÇÃO DA MULHER - I - ADOLESCÊNCIA E SEXUALIDADE
A EVOLUÇÃO DA MULHER - II – ADOLESCÊNCIA, SEXUALIDADE E GRAVIDEZ
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