Conversas ao redor do fogo
Meus amigos, lançamos a partir de hoje a nova série de textos do Conversas ao redor do fogo, entitulada A Evolução da Mulher. Neste primeiro numero, Osiris Costeira fala da Adolescência e a Sexualidade e o que vem depois não pode deixar de ser acompanhado. Aproveitem.
Abraço carinhoso,
Ju Hadadd.
Osiris Costeira
Graduado em Medicina, Título de Especialista em Psiquiatria, Psicoterapeuta, Mestre em Reiki pela Fraternidade Reiki, Pós-Graduado em Terapias Naturais e Holísticas, Coordenador do site www.terapiadecaminhos.com.br.
A EVOLUÇÃO DA MULHER. IV – A MULHER ADULTA: A ANTICONCEPÇÃO
A anticoncepção, com todo o valor libertário que doou à mulher no século XX, quer em seus métodos comportamentais, de barreira, por DIU, pelo sistema intra-uterino ou pelo método hormonal oral ou injetável, requer uma releitura ética e emocional do casal que escolheu esta prática para balizar a sua vida em comum. E isto porque a não procriação deve ser consciente e fazer parte de um plano de vida, com metas a serem atingidas, quer profissionais, vivenciais e emocionais, por ambos, homem e mulher. E nesse conjunto de decisões, a escolha de um ginecologista para orientar e “prescrever” a anticoncepção é fundamental, para que, entre outros aspectos, a qualquer momento possa ser suspenso e iniciado todo o ritual pró-criativo.
A participação do ginecologista é tão importante nessa fase da vida de um casal que a Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia editou um manual de orientação sobre a anticoncepção aos seus filiados (Febrasgo – Federação Brasileira de Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia – Anticoncepção – Manual de Orientação, 1997) que deveria ser lido por todos os participantes da ação - médico e paciente - para que ambos entendam, exatamente, as suas responsabilidades. O Manual, em suas Considerações Específicas, diz o seguinte:
“A anticoncepção, do ponto de vista ético, tem várias dimensões, sendo as mais importantes a individual, a familiar e a ecológica. Do ponto de vista individual, reconhece-se o princípio bioético da Autonomia que valoriza o sujeito e sua livre vontade. Cada pessoa, individualmente tem o predicado de optar, em se tratando de prole, pelo que julga ser mais conveniente para si, quanto ao número de filhos, quando tê-los, se retê-los ou não. É uma prerrogativa de cada pessoa, reconhecida pela Bioética, que busca proporcionar, a cada um, meios para construir a sua dignidade e uma “boa vida”. Por mais enigmático que seja o conceito de “boa vida” é um dos grandes fins da Bioética.
A “boa vida” refere-se concomitantemente ao hedonismo, doutrina fundada no prazer como fonte da felicidade, presente em todas as épocas e em todas as latitudes, e à beatitude, que norteava as antigas éticas, de Platão a São Thomas de Aquino. A beatitude pode ser entendida não apenas como uma condição de santidade, conceito exclusivamente religioso, mas, acima de tudo, como a realização plena da condição humana e seus predicados.
Atualmente, reconhece-se de forma muito clara a dissociação que o ser humano faz de sexo e reprodução. Diferentemente dos outros animais de reprodução sexuada, o sexo para o ser humano é umas função que tem fins maiores do que ser, simplesmente, meio de reprodução ou de manutenção da espécie. Quanto mais evoluída a sociedade, mais aparece essa dissociação. Assim sendo, é imperioso o desenvolvimento de atitudes que comandem a fertilidade pelo ser humano, individualmente, para poder desenvolver de modo mais pleno possível essas duas funções, a sexual e a reprodutiva.
Um corolário do princípio da Autonomia, aplicado à anticoncepção, é a necessidade da informação. Quanto maior o grau de conhecimento que o indivíduo (paciente) tem acerca da sua natureza, dos seus objetivos de vida e dos recursos disponíveis (como os métodos anticoncepcionais), tanto mais livre e coerente será a decisão que tomar. No desenvolvimento do trabalho de anticoncepção é, pois, uma questão de boa ética a promoção de informações minuciosas pelo médico ao paciente sobre os recursos disponíveis. Mais do que isso, é eticamente fundamental que o paciente faça a opção pelo meio ou recurso a ser usado auxiliado pelo médico. Este terá como obrigação, além dessa tarefa de informar, exercer sua ciência e arte examinando o paciente de modo correto e completo a fim de descartar eventuais diagnósticos de condições que imponham limites clínicos ao uso de certos meios.
A programação da prole permite que a mulher deixe de ser apenas esposa e mãe e possa ter profissão e exercitá-la. Isso a propicia uma condição mais emparelhada à do homem, reduzindo significantemente a relação de subordinação que prevaleceu por muito tempo. .
Do ponto de vista da família, o planejamento familiar repercute na estruturação da célula mãe da sociedade. A mulher se torna mais autônoma, divide com o homem os encargos financeiros de sustento, alterando profundamente a relação de dominação. Os filhos deixam de ser produto da vontade divina e passam a ser fruto da vontade dos pais, reformulando as relações de responsabilidade. A paternidade se torna muito mais responsável. Só tem filhos quem os quer e quando os quer.”
Leia também o artigo anterior
LIBERTAÇÃO FEMININA - I - Sexualidade: muito além de Freud
LIBERTAÇÃO FEMININA - II - Homo sapiens: Macho x Fêmea
LIBERTAÇÃO FEMININA - III - Do Nilo mar ao Mar Egeu, passando por Roma
LIBERTAÇÃO FEMININA - IV - ...e Deus criou a mulher!
LIBERTAÇÃO FEMININA - V - “Um dique não contém um mar encapelado”
A EVOLUÇÃO DA MULHER - I - ADOLESCÊNCIA E SEXUALIDADE
A EVOLUÇÃO DA MULHER - II – ADOLESCÊNCIA, SEXUALIDADE E GRAVIDEZ
A EVOLUÇÃO DA MULHER - III – A MULHER ADULTA: A CONCEPÇÃO
A EVOLUÇÃO DA MULHER - IV – A MULHER ADULTA: A ANTICONCEPÇÃO
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